quinta-feira, 22 de julho de 2010

Matuta, guerreira


Não se poderia dizer que na vida foi meretriz, todavia, se jamais teve filho sem pai, também foi por um triz. Uns até diziam que fumava, bebia e cheirava, mas uma moça daquelas não deixaria estes vícios torná-la prisioneira, Mais fácil seriam os outros prazeres da carne, estes sim: ela mesma os aprisionar.
Matuta, guerreira. Sem eira nem beira, parecia zombar de tudo ao seu redor. Como se tudo aquilo fosse uma séria brincadeira de ciranda, sapateava sem música tocar, chorava sem lágrima rolar. Sofria sem ninguém ver!
Nas bandas donde vivia, sempre que amanhecia, se podia contar: os surdos juravam um canto escutar... Os cegos agitados sorriam "vendo" a moça passar. Até os moribundos por aquelas terras se deixavam contagiar...
Mas até que era fácil perceber que no peito a moça guardava não se sabe o quê, que vinha não se sabe da onde; e aquilo a sufocava por dentro, fazendo-a quase levitar, para logo depois no chão, àquela moça subjugar.
A última notícia que se teve dela, foi que um moço de asas, se pôs a moça abraçar. E foi com muito jeito, com muito carinho que o ouviram falar: não tenhas medo anjo, venho em missão de resgate, e para casa finalmente podereis retornar...Se nisso tudo é difícil de acreditar, não serei eu quem vai julgar.Mas quem conta esta história, são os cegos e mudos, que vivem pelas ruelas daquele lugar.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Sigilo


Dos olhos lágrima não terás
De uma alma congelada não desfilará
A face seca estava e seca continuará
As marcas que deviam da lágrima se fartar
Guardam sigilosamente a tristeza que por ela jaz

domingo, 20 de dezembro de 2009


A bela sobreviveu...
E Tomé?
Bom, Tomé creu!

Incredulidade

Desde os primeiros passos, ensaiava sua desconfiança. Fato inerente à sua personalidade.
O que poderia ele fazer?
Na adolescência não foi diferente: enquanto uns brindavam novidades, ele se voltava a sua incredulidade.
Tempo passa...
A gente cresce: a gente vira homem, mulher (outros se viram como podem...!), os hormônios enfurecidos não deixam muita escolha!
Ou te viras com afinco, ou dá teu jeito com cinco...
Dizem que os afortunados atraem a glória, ou vice versa. Mas a verdade, é que o moço, não se sabe carga d´agua, chamou tua atenção, entre as belas da região...
Dá-se então início ao namoro!
Pouco tempo depois veio o anúncio do noivado. E os pais previdentes, trataram logo de marcar o casamento, pois, com o vigor da juventude não se pode titubear. Que não me deixem mentir tantos filhos sem pai, que estão por aí a vagar...
Data se aproximando; todo mundo feliz, haveria de se esperar.
Mas, ali residia quem, que, em teu coração, a felicidade completa, deixava a desejar.
A bela não suportava a insipidez do belo, ao que por verdade tinha...
Mas, isto era segredo dela. Ninguém sabia!
Chega o grande dia!
Luzes e cores por todos os lados... Homem daqui, mulher dali, tinha até veado enfeitando o lago.
Tinha palhaço! Tinha fanfarra...
Seria tudo perfeito! Não fosse à dor que no peito da bela, à triste noite encerrava!
Ela está morta! Ela está morta!
Estas palavras se gravaram no mais fundo da alma do belo...
Tua empáfia reduziu-se a farelo!
Desespero tomou conta dele...
No dia de seu casamento, sua noiva enfartar?
Não!

Não poderíamos a esta devastação assim denominar.
Desespero foi pouco! Disse quem de seus olhos e boca viu saltar...
Cruzou rios... Desceu montes, rasgou-se todo! Sem sequer poupar sua fronte...
Quando sem forças, seu corpo arqueou no chão...
Quando, à sua arrogância, não restava nada! A não ser o que te sobrava...
E o que te sobrava, não era nada, além do que é reto.
Tua arrogância dobrou-se então!
E, no instante que por graça, saboreou a retidão:
Senhor!
Senhor!
Senhor!
Clamo-te, por favor...
E por misericórdia pôde ouvir:
Não te desespere filho:
Tua fé, a salvou!
A bela sobreviveu...
E Tomé?
Bom, Tomé creu!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009


Fria madrugada, desejo pulsava, veia ardia, volúpia consumia. Nem ao dia, trégua se via...

Os raios daquele Temporal


Contudo era dia,
Sisudo teu peito doía à dor que o outro produzia, imposta tal qual autarquia, de forma que, como tudo! Esperança findando-se ia...
A desejou tal quimera, e caiu ao deboche dela, por querê-la, tal quisera, pensando ser teu, o Amor pertencente a ela...

Fria madrugada, desejo pulsava, veia ardia, volúpia consumia. Nem ao dia, trégua se via...
Total miséria... Falaria quem rindo ia. Assim pudera! O Amor, este moço tosco num atrevimento roto reivindicou à bela... Eis que, à picardia, desmazelou ante o repúdio dela.

Mas, quem falaria que de toda utopia a dele fosse reinar? De certo seria àquela que num dia, ou noite! Nada mudaria, se o fizesse sonhar...
E o sisudo desejou tão pouco... Mesmo a miséria se falasse por ti não se importaria.


Se ao menos a felicidade o tocasse... Mesmo de jeito sazonal!
Nem tudo! Nem nada, o afetariam... Nem mesmo, os raios daquele temporal!

Contudo era dia...