sábado, 7 de agosto de 2010

Pai


Aos pais mando um abraço
sem importar sua idade
pra todos o meu apreço.
Ô Papai quanta saudade

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Perder-se de Amor


No desejo a pele alva empalidece
noite sem rumo
vida sem prumo
alma agoniza, desejo apetece

Um sussurro na noite
inaudível a olho nu
No zumbido envolto em uivo,
a matilha alimenta o açoite

Assanha a sanha
desnuda o pomo da discórdia,
desfigura a alma sem barganha

O apocalíptico prurido
sacramenta teu destino
Perder-se de Amor, sem antes sentí-lo.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Extermínio

Sangrou, e o desejo vociferou
A carne não dilacerar?
Somente d’alma se fartar?
De quê olho, o seu se espelhou?

Dizes de mim: decisão não terás
Digo e tu: quê decidirás?
Afora o tempo que aqui estou
Embora o julgo, que aqui tu fazes

Risque este peito
Rasgue, mas sem direito
Seja simetricamente perfeito
Que a dor num instante mate
Noutro, torne-se sem efeito.

Cicatriz na alma ou na carne
Aonde quiser, podereis tentar
Se amanhã resolveres continuar
Além do que há no peito
O que mais, poderás exterminar?

Matuta, guerreira


Não se poderia dizer que na vida foi meretriz, todavia, se jamais teve filho sem pai, também foi por um triz. Uns até diziam que fumava, bebia e cheirava, mas uma moça daquelas não deixaria estes vícios torná-la prisioneira, Mais fácil seriam os outros prazeres da carne, estes sim: ela mesma os aprisionar.
Matuta, guerreira. Sem eira nem beira, parecia zombar de tudo ao seu redor. Como se tudo aquilo fosse uma séria brincadeira de ciranda, sapateava sem música tocar, chorava sem lágrima rolar. Sofria sem ninguém ver!
Nas bandas donde vivia, sempre que amanhecia, se podia contar: os surdos juravam um canto escutar... Os cegos agitados sorriam "vendo" a moça passar. Até os moribundos por aquelas terras se deixavam contagiar...
Mas até que era fácil perceber que no peito a moça guardava não se sabe o quê, que vinha não se sabe da onde; e aquilo a sufocava por dentro, fazendo-a quase levitar, para logo depois no chão, àquela moça subjugar.
A última notícia que se teve dela, foi que um moço de asas, se pôs a moça abraçar. E foi com muito jeito, com muito carinho que o ouviram falar: não tenhas medo anjo, venho em missão de resgate, e para casa finalmente podereis retornar...Se nisso tudo é difícil de acreditar, não serei eu quem vai julgar.Mas quem conta esta história, são os cegos e mudos, que vivem pelas ruelas daquele lugar.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Sigilo


Dos olhos lágrima não terás
De uma alma congelada não desfilará
A face seca estava e seca continuará
As marcas que deviam da lágrima se fartar
Guardam sigilosamente a tristeza que por ela jaz

domingo, 20 de dezembro de 2009


A bela sobreviveu...
E Tomé?
Bom, Tomé creu!

Incredulidade

Desde os primeiros passos, ensaiava sua desconfiança. Fato inerente à sua personalidade.
O que poderia ele fazer?
Na adolescência não foi diferente: enquanto uns brindavam novidades, ele se voltava a sua incredulidade.
Tempo passa...
A gente cresce: a gente vira homem, mulher (outros se viram como podem...!), os hormônios enfurecidos não deixam muita escolha!
Ou te viras com afinco, ou dá teu jeito com cinco...
Dizem que os afortunados atraem a glória, ou vice versa. Mas a verdade, é que o moço, não se sabe carga d´agua, chamou tua atenção, entre as belas da região...
Dá-se então início ao namoro!
Pouco tempo depois veio o anúncio do noivado. E os pais previdentes, trataram logo de marcar o casamento, pois, com o vigor da juventude não se pode titubear. Que não me deixem mentir tantos filhos sem pai, que estão por aí a vagar...
Data se aproximando; todo mundo feliz, haveria de se esperar.
Mas, ali residia quem, que, em teu coração, a felicidade completa, deixava a desejar.
A bela não suportava a insipidez do belo, ao que por verdade tinha...
Mas, isto era segredo dela. Ninguém sabia!
Chega o grande dia!
Luzes e cores por todos os lados... Homem daqui, mulher dali, tinha até veado enfeitando o lago.
Tinha palhaço! Tinha fanfarra...
Seria tudo perfeito! Não fosse à dor que no peito da bela, à triste noite encerrava!
Ela está morta! Ela está morta!
Estas palavras se gravaram no mais fundo da alma do belo...
Tua empáfia reduziu-se a farelo!
Desespero tomou conta dele...
No dia de seu casamento, sua noiva enfartar?
Não!

Não poderíamos a esta devastação assim denominar.
Desespero foi pouco! Disse quem de seus olhos e boca viu saltar...
Cruzou rios... Desceu montes, rasgou-se todo! Sem sequer poupar sua fronte...
Quando sem forças, seu corpo arqueou no chão...
Quando, à sua arrogância, não restava nada! A não ser o que te sobrava...
E o que te sobrava, não era nada, além do que é reto.
Tua arrogância dobrou-se então!
E, no instante que por graça, saboreou a retidão:
Senhor!
Senhor!
Senhor!
Clamo-te, por favor...
E por misericórdia pôde ouvir:
Não te desespere filho:
Tua fé, a salvou!
A bela sobreviveu...
E Tomé?
Bom, Tomé creu!