quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Viver enconchado






Revelamo-nos num encontro paradoxal
embora a afronta, não pudesse imaginar
vertendo-nos até o arrebol
desafiamos o verbo abdicar

No abraço, a dor corrompida
mensurou quão passos dar
nos fez de forma precisa
reinantes em nosso abraçar

Simbiose sedimenta fragmento
a escolha ecoa no ar
se um dia estivemos placebo
não foi por vontade de estar

Tua tez uma fonte delicada
nos faz quase levitar
quisera viver enconchado
contigo nas ondas do mar






Utopia




Dentro de mim não sei o que sou
bicho? Gente? O tempo que revele
meu prazer se traduz em minha dor
agonia vara saudade à flor da pele

Reflito aflito em pensamento vasto
reflexo profano da cobiça agridoce
desfigura o desejo tal qual casto
venera o anseio como se ele fosse

Os olhos que me espreitam do avesso
talham-me lágrimas cristalinas que o passado espia
folhas farfalham sob o peso de sonho um inconfesso

E um eclipse pontilha-se num céu que se resfria.
Saio de mim na poesia da noite e logo amanheço
um ínfimo estilhaço de utopia...




Agradecimento a escritora Sandra por sua parceria

sábado, 7 de agosto de 2010

Pai


Aos pais mando um abraço
sem importar sua idade
pra todos o meu apreço.
Ô Papai quanta saudade

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Perder-se de Amor


No desejo a pele alva empalidece
noite sem rumo
vida sem prumo
alma agoniza, desejo apetece

Um sussurro na noite
inaudível a olho nu
No zumbido envolto em uivo,
a matilha alimenta o açoite

Assanha a sanha
desnuda o pomo da discórdia,
desfigura a alma sem barganha

O apocalíptico prurido
sacramenta teu destino
Perder-se de Amor, sem antes sentí-lo.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Extermínio

Sangrou, e o desejo vociferou
A carne não dilacerar?
Somente d’alma se fartar?
De quê olho, o seu se espelhou?

Dizes de mim: decisão não terás
Digo e tu: quê decidirás?
Afora o tempo que aqui estou
Embora o julgo, que aqui tu fazes

Risque este peito
Rasgue, mas sem direito
Seja simetricamente perfeito
Que a dor num instante mate
Noutro, torne-se sem efeito.

Cicatriz na alma ou na carne
Aonde quiser, podereis tentar
Se amanhã resolveres continuar
Além do que há no peito
O que mais, poderás exterminar?

Matuta, guerreira


Não se poderia dizer que na vida foi meretriz, todavia, se jamais teve filho sem pai, também foi por um triz. Uns até diziam que fumava, bebia e cheirava, mas uma moça daquelas não deixaria estes vícios torná-la prisioneira, Mais fácil seriam os outros prazeres da carne, estes sim: ela mesma os aprisionar.
Matuta, guerreira. Sem eira nem beira, parecia zombar de tudo ao seu redor. Como se tudo aquilo fosse uma séria brincadeira de ciranda, sapateava sem música tocar, chorava sem lágrima rolar. Sofria sem ninguém ver!
Nas bandas donde vivia, sempre que amanhecia, se podia contar: os surdos juravam um canto escutar... Os cegos agitados sorriam "vendo" a moça passar. Até os moribundos por aquelas terras se deixavam contagiar...
Mas até que era fácil perceber que no peito a moça guardava não se sabe o quê, que vinha não se sabe da onde; e aquilo a sufocava por dentro, fazendo-a quase levitar, para logo depois no chão, àquela moça subjugar.
A última notícia que se teve dela, foi que um moço de asas, se pôs a moça abraçar. E foi com muito jeito, com muito carinho que o ouviram falar: não tenhas medo anjo, venho em missão de resgate, e para casa finalmente podereis retornar...Se nisso tudo é difícil de acreditar, não serei eu quem vai julgar.Mas quem conta esta história, são os cegos e mudos, que vivem pelas ruelas daquele lugar.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Sigilo


Dos olhos lágrima não terás
De uma alma congelada não desfilará
A face seca estava e seca continuará
As marcas que deviam da lágrima se fartar
Guardam sigilosamente a tristeza que por ela jaz